COMO SER MAIS CRIATIVO – E superar os bloqueios!

Todos Nascemos Com Muita Criatividade!

Todo o artista ou pessoa que utiliza a criatividade com frequência, sofre de vez em quando do famoso bloqueio criativo ou síndrome do papel em branco. Nesse momento você simplesmente não consegue fazer um desenho, um texto, uma história em quadrinhos ou qualquer outro tipo de trabalho criativo. Dá uma sensação de paralisia, de estagnação. Isso pode ser muito desagradável e causar angústia e estresse.

Nesse artigo eu vou ajudar você a entender melhor o bloqueio criativo, e lhe dar algumas dicas úteis para você superar esse tipo de dificuldade. Vou falar sobre as etapas do processo criativo, de acordo com pesquisas científicas de vanguarda, e explorar possibilidades para potencializar a criatividade que já existe cada um de nós.

A criatividade se manifesta através de um processo delicado e muito complexo. Vamos analisar os vários fatores que influenciam nesse processo, de forma simples e concisa.

O ser humano é naturalmente criativo. Criar faz parte da natureza humana, é uma capacidade relacionada ao subconsciente, ao intuitivo. Observe como todas as crianças são criativas e imaginativas. Isso ocorre porque elas têm uma conexão ainda muito forte com a dimensão subconsciente ou subjetiva da mente. Na medida em que a criança vai crescendo, o seu lado mais racional e objetivo vai se fortalecendo. Somando-se a esse despertar da razão, as instituições sociais, como a escola e a família, ridicularizam e reprimem o lado intuitivo e supervalorizam a inteligência racional e a materialidade.

Aos poucos a criança vai perdendo a imaginação criativa, por causa dos julgamentos, do medo da rejeição, da obsessão com as notas escolares, entre outros fatores. Nós vivemos em uma sociedade que prioriza o pensamento lógico, racional, objetivo. Por isso, à medida que vamos crescendo, nos acostumamos a deixar de lado as “viagens”, “fantasias” e “brincadeiras”,  para abraçar um estilo de vida pautado por um racionalismo limitado e limitante. E assim sufocamos a nossa criatividade.

As Etapas Do Processo Criativo

A criatividade é uma habilidade como qualquer outra e pode ser desenvolvida. Todo o ser humano já nasce criativo, mas essa criatividade pode ser favorecida ou prejudicada por muitos fatores, como educação, família, saúde, entre outros. Portanto, para você ser mais criativo hoje, basta apenas desbloquear a sua criatividade. É um processo de resgate de sua conexão com o subconsciente. Essa conexão foi sistematicamente obstruída por diversos mecanismos sociais e psicológicos, mas pode ser recuperada em um processo de autoconhecimento, através de uma jornada interior.

O bloqueio criativo pode acontecer por diversos motivos, sendo um dos principais o excesso de objetividade, de racionalização, diante de um determinado trabalho ou tarefa. Para entender melhor esse aspecto do bloqueio criativo, é importante entender as etapas do processo criativo.

David Kelley, no livro “Creative Confidence”, descreve esse processo criativo em cinco estágios. Esses estágios não acontecem necessariamente de forma linear, pois a criatividade transcende a lógica racional e pode se manifestar de forma aparentemente caótica.

Estágio 1: Preparação

Esse estágio corresponde à pesquisa, à sua absorção de referências. Dependendo do projeto que tiver em mente, do trabalho que precisa fazer, você deve reunir uma série de referências específicas. Essas referências podem incluir obras de outros artistas, livros, fotografias, textos científicos, ou qualquer outro elemento cultural.

Você pode recorrer a seu próprio trabalho anterior, numa autorreferência. Uma das minhas principais fontes de inspiração é a coleção de desenhos da minha adolescência. Você pode se surpreender e encontrar ideias incríveis em trabalhos tecnicamente modestos, criados sem pretensões mercadológicas por adolescentes ou crianças.

Aqui entra em jogo também a sua cultura geral. Tudo o que você leu e assistiu, a sua experiência de vida, as viagens, os romances, as crises. Referências às vezes sem nenhuma conexão aparente com o seu trabalho, podem ajudar muito na hora de fazer relações e combinações de ideias, dando origem a algo interessante e original.

Estágio 2: Incubação

Após o consumo dessas referências, você entra no estágio de Incubação. A sua mente passa a digerir toda essa informação, a interiorizá-las. Essas referências se integram a seu “banco de dados” pessoal. Uma das tarefas do nosso subconsciente, nesse estágio, é classificar essas referências e arquivá-las em nossa memória. Imagine a nossa mente como um grande HD de computador, com várias pastas para guardar arquivos de diferentes tipos.

Quando absorvemos as referências, o nosso cérebro precisa de um certo tempo para classificar e armazenar essas informações. O subconsciente tem uma memória perfeita, mas a mente consciente é seletiva e limitada. Cada um tem a sua forma de classificar as referências, de acordo com a sua mentalidade particular. Essas referências não estão isoladas, elas têm pontos em comum que se relacionam. A reflexão sobre todo o conteúdo que você absorveu acontece de forma espontânea.

Estágio 3: Iluminação

Depois que todas as referências foram interiorizadas, acontece um processo misterioso e silencioso de combinação e transmutação, até que o subconsciente manifesta uma ideia criativa. Essa ideia é o resultado de um processo de raciocínio intuitivo, que acontece de forma independente do nosso raciocínio lógico e consciente. A forma como a “iluminação” funciona ainda é muito controversa.

O consenso é que precisamos adormecer a mente racional e objetiva para permitir o afloramento das ideias do subconsciente. É por isso que muitas das maiores descobertas da história surgiram em momentos de relaxamento, como uma caminhada ou banho. O próprio Arquimedes estava em uma banheira, boiando, quando descobriu o Princípio de Arquimedes, sobre a força e o deslocamento de corpos e fluidos. E nessa hora gritou a famosa palavra da descoberta: “EUREKA”! Niels Bohr teve a visão de modelo do átomo em um sonho. Salvador Dali costumava dormir com uma colher suspensa sobre um prato, para despertar no meio do sonho e assim se lembrar das imagens do seu subconsciente.

Eu dou grande importância às imagens oníricas, e utilizo os meus sonhos como referência principal para a criação das minhas histórias em quadrinhos. É importante anestesiar, acalmar a mente objetiva. Isso vai permitir a manifestação das ideias que foram transmutadas pelo subconsciente.

É importante fazer uma observação nesse ponto. Apesar de a inspiração ou iluminação ser muito importante, não podemos esperar que ela venha para começarmos a fazer o que precisamos fazer. Temos que nos disciplinar a trabalhar mesmo sem inspiração, pois apenas assim vamos vencer a procrastinação, com a força do hábito.

Estágio 4: Validação de Ideias

Nesse estágio você vai observar todas as ideias que vieram à tona separar o que é útil do que não é. Aqui você vai confirmar, validar as ideias que surgiram no estágio de iluminação. Aqui você vai simplesmente registrar o que veio à sua mente, e selecionar que será desenvolvido, e o que será dispensado, de acordo com os parâmetros do trabalho que você vai realizar.

Ter poucas ideias podem ser ruim para a criatividade. Mas ter muitas ideias também podem atrapalhar. Com muitas ideias você pode ficar confuso e terminar gerando um bloqueio. Esse estágio de validação é importante para simplificar, sintetizar as suas ideias àquilo que é mais importante, permitindo que você tenha mais foco na hora de produzir.

Estágio 5: Execução

Aqui você vai finalmente fazer o seu trabalho criativo, botar a mão na massa. Para isso ter foco é fundamental. O foco é um processo de seleção e eliminação, onde você seleciona o que vai fazer e elimina tudo o que pode lhe atrapalhar nessa tarefa.

Para favorecer a sua produtividade, a técnica Pomodoro pode ser muito útil. Ela se baseia no fato que as pessoas não conseguem manter um bom foco por muito tempo, e por isso recomenda períodos de produtividade de 25 a 60 minutos, com pausas de 5 a 15 minutos. Essa quebra na atividade permite ao cérebro “resetar” o processo de concentração, permitindo um maior aproveitamento. Essa técnica pode funcionar melhor com certos tipos de atividade, mas é interessante e vale à pena experimentar.

Dicas Práticas

Descanso é fundamental. Às vezes, quando você está muito cansado ou a muito tempo focado em uma atividade específica, pode ser muito benéfico mudar de atividade, descansar ou dormir. Quando você está em atividade constante, a mente fica saturada e pode bloquear a criatividade. Se você estiver com um bloqueio criativo, alguns momentos de ócio podem ajudá-lo a recuperar a inspiração. É em um momento de relaxamento que o nosso subconsciente tem maior probabilidade de manifestar uma “iluminação”.

A meditação também é um recurso muito valioso para a criatividade, pois favorece a transferência de informação entre a mente subconsciente, subjetiva, e a mente consciente, objetiva. A meditação permite purificar a mente dos ruídos e informações desnecessárias, e apresentar uma visão clara e bem definida das ideias e de como realizá-las em seus projetos e atividades do dia-a-dia.

A racionalização exagerada pode ser um entrave ao processo criativo. Ficar preocupado com o que as pessoas vão pensar, o medo da rejeição, o medo do fracasso, são pensamentos que fortalecem o bloqueio criativo.

O bloqueio criativo é um processo comum para todo o artista ou qualquer pessoa que usa a criatividade. É importante encarar isso com tranquilidade. Encare o bloqueio como uma situação transitória, passageira, que será resolvida naturalmente.

A forma como você percebe a realidade influencia muito a criatividade. O seu mindset, a sua mentalidade ou visão de mundo, é um fator determinante em todos os aspectos de sua vida, inclusive na sua produtividade artística.

Se você pensa constantemente que não é criativo, e fica amargurado, decepcionado, e acha que não tem capacidade ou que não é bom em alguma coisa, a sua mente se condiciona a criar cenários, situações, que vão confirmar aquilo que você assumiu como verdade. Se você encara a sua arte como uma coisa que precisa ser trabalhosa, difícil, que precisa ter muito talento para fazer, então a tendência é que você faça acontecer desse jeito, mesmo que você pudesse resolver as coisas de um jeito mais fácil.

Lembre que o nosso subconsciente é muito poderoso, e dependendo da forma como encaramos as situações, uma tarefa simples pode parecer muito mais complicada do que é na realidade. O nosso subconsciente pode complicar essas situações, para confirmar a ideia de que elas são difíceis. Temos a necessidade constante de confirmar as nossas crenças e concepções pré-estabelecidas, mesmo que sejam prejudiciais para nossa vida ou nosso trabalho.

Portanto, muito cuidado com o que você pensa! O seu pensamento condiciona o seu comportamento. Portanto, encarar o bloqueio criativo como uma situação passageira, que será facilmente superada, manda uma mensagem positiva para o seu subconsciente, e ele vai colaborar para confirmar esse pensamento com uma situação benéfica.

Para favorecer a sua criatividade, você deve buscar o equilíbrio entre os vários aspectos da vida. Uma boa noite de sono, descanso, estar em uma condição física favorável, ter uma boa alimentação, fazer exercícios físicos. Ter um estado emocional equilibrado, evitando rompantes de raiva ou tristeza, angústia ou euforia, também é importante. Tudo isso facilita a harmonia e a conexão entre a sua mente objetiva, consciente, e a sua mente subjetiva, subconsciente.

Atualize as suas referências. Procure referências diferentes e inusitadas, coisas que você não goste ou não esteja acostumado. Revistas adolescentes, música clássica, festas infantis, filmes de terror, culinária peruana, lendas aborígenes, história da inglaterra, programação de jogos. Esses interesses, apesar de parecerem desconexos, podem criar um elenco de referências que o subconsciente pode transmutar em ideas inusitadas e originais. Essa variedade de referências favorece novas conexões neurais do nosso cérebro, exercitando o potencial criativo.

Seja perfeccionista na hora certa. Nos primeiros momentos de criação é importante que você seja rápido, que possa expressar espontaneamente, de forma verdadeira, a pulsão de ideias do seu subconsciente. O perfeccionismo pertence ao acabamento, à edição, à arte-final, à revisão de texto, ao refinamento de sua obra para entregá-la a seus espectadores ou leitores.

Permita-se ser espontâneo e emocional em um do momento, e calculista e racional em outro. Na hora de criar, deixe fluir a obra como um todo. Na hora de finalizar, dê atenção a todos os detalhes.

A arte é um grande mistério, uma grande aventura. Precisamos aprender a comunicar a nossa criatividade para o mundo. O artista busca o domínio técnico para expressar melhor a sua verdade interior.

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