ORGULHO: A pior armadilha para o artista!

ORGULHO. É um problema que acomete a maioria dos artistas. E é claro que isso inclui quadrinistas e ilustradores. Nesse vídeo eu faço uma distinção muito clara ente gostar do próprio trabalho e tratar as outras pessoas com desprezo. São duas coisas totalmente diferentes! Não caia nessa!

Gostar do próprio trabalho é uma coisa boa. É auto-estima, é valorizar aquilo que é feito por suas próprias mãos. Como artista, eu considero qualquer produção, qualquer gesto, de qualquer pessoa, como arte, com seu valor e suas qualidades próprias.

A arte tem um efeito intoxicante, ele faz com que percamos um pouco o senso racional, e nos espelhamos nela, e sentimos que fizemos algo incrível e significativo. A arte é sim muito importante, mas a importância e o valor que ela tem são muito relativos. Um poema escrito na adolescência pode ser uma das coisas mais belas e importantes do mundo para alguém, mas do ponto de vista da crítica literária especializada, pode ser medíocre ou até mesmo patético.

Um quadro abstracionista pode parecer apenas mancha de tinta para uma pessoa comum, mas para um curador de galeria com ampla cultura e visão de mercado, pode ser uma obra-prima que vale milhões.

Essa relatividade do valor de uma obra de arte se aplica ao quadrinhos e ilustrações, e a toda arte profissional. Quando temos uma obra que faz sucesso, que é elogiada por outros artistas ou reconhecida pela imprensa, isso pode nos dar a falsa sensação de que somos grandes artistas, quando na verdade não somos.

O ego inflado de um artista pode ter consequências muito destrutivas na personalidade. Dependendo da maturidade desse artista, uma sequência de elogios ou sucessos pode fazê-lo se sentir uma pessoa superior, com o direito de menosprezar artistas menos experientes ou qualquer outra pessoa. Esse tipo de atitude é uma característica da imaturidade e da estreiteza de visão, pois a nível universal um artista que publica certa coisa não é nada comparado aos grandes sábios e artistas que marcaram a humanidade.

Colocar-se diante Goethe, Pascal, Buda, Leonardo DaVinci, Botticelli, Albert Einstein e outros gigantes, é mais do que o suficiente para reconhecermos a nossa devida proporção na escala universal das coisas. O interessante é que essas personalidades extremamente evoluídas são geralmente humildes, simples e atenciosas.

Essa distorção de comportamento de um artista orgulhoso deve ser distinguida da apreciação pela própria obra de arte. Apreciar o que se faz é um grande prazer emocional, e não deve de forma alguma ser reprimido. Mas devemos reconhecer que esse valor é relativo principalmente à nossa conexão emocional como autor da obra, e não pelo valor universal que ela carrega, que é algo difícil de mensurar. Mesmo uma obra com alto valor comercial pode ter pouco ou nenhum valor para a cultura universal, e vice-versa.

Ciente dessa relatividade do valor de sua obra, o artista deve se empenhar em tratar os outros artistas, e sobretudo aqueles iniciantes que lhe pedem por auxílio e orientação, com o mais profundo respeito e atenção. Umas poucas palavras de um artista experiente podem ser ouro para iniciantes que estão confusos nos primeiros passos da arte. E sobretudo em uma arte tão complexa e multifacetada como as histórias em quadrinhos.

Se você é um artista mais experiente, compartilhe suas vivência, suas técnicas, sua visão de mundo, com quem está começando. Crie vídeos, faça reuniões, crie um movimento. Assim, a nova geração poderá evitar os mesmos erros que já cometemos. Se você é um artista iniciante, procure o conselho de artistas mais experiente para facilitar a sua jornada!

Estou à disposição para ajudar como puder. Eu gosto muito da minha própria arte, mas jamais deixarei que isso seja pretexto para menosprezar outras pessoas.

Um grande abraço!

Pedro Ponzo.

Confira o Vídeo!

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